quarta-feira, 25 de setembro de 2019

150-TROVAS E TROVÕES

150-TROVAS E TROVÕES

Um dia, guria 
A História será
Memórias de sonetos
Frenesi do Ceará

Em cada trova
Uma prova andará
De raios e trovões 
Pólvora em polvorosa

De diversos clarões
A prosa se perderá
Para o verso de momento
Elísio vento que aprova

A víride verve que vive
No controverso pensamento

Ateu Poeta
19/12/2013

149-PLUMA E PONTE


Amizade é voz que harmoniza a poesia
Melodia que envivece a foz
Alento atento
De perto e de longe

Cala e cria desertos
De monge
Música em alegro supremo
Largos lagos

E não miragem
Mas, carruagem dos sonhos
Em mundo risonhos mil
Ribalta a fio no monte

Horizonte abre o Queronte
Parceria, pluma e ponte


Ateu Poeta
18/12/2013

148-VINTE VENTOS

148-VINTE VENTOS

Viver é um ato de rebeldia
Contra o nobre anoitecer
A tecer o dia
Em toda a desarmonia do sol

Frenesi
Fenecer
O futuro que aturo
Será o fiasco de todos

A sétima queda
De Hórus e Seth
O terceiro olho
São os próprios filamentos neurais

Verdades aos vinte ventos
Já não canto mais

Ateu Poeta
15/12/2013

147-DISTÂNCIA

147-DISTÂNCIA

É preciso distância
De amigos e inimigos
Para serdes por aqueles lembrado
E por estes esquecido

De modo que serás apunhalado
Com muito menor frequência
A melhor companhia perene
É feita por quem ignora

A tua identidade
E que nada sente
Em relação a ti
Ocupando o bastante

Com a própria vida
Só toma conta de si

Ateu Poeta
15/12/2013

146-VIDA CIGANA

146-VIDA CIGANA

É tão bacana desbravar as cidades
Mil tempestades moram dentro de mim
Nasci na gana sem grana dos mares
Os meus lares são detalhes sem fim

Ô! vida cigana
Na toscana estou tocando clarim
Ô! vida cigana
O meu deserto-nirvana é assim

Canto porque me encantam lugares
Só se engana quem não sabe seguir
Não sei ao certo aonde ir
Mas, nessa noite eu quero me divertir

Ô! vida cigana
Eu vou dançar até o mundo sumir

Ateu Poeta
11/12/2013

145-NARCISO

145-NARCISO

Narciso morreu no rio
Como Ícaro ao sol
Em voo destemido 
Frenesi garrido 

O impulso é instinto sem amparo
Arrebol pelo qual
O homem é consumido 
A verdadeira tragédia

Não é adorar a si
Mas a comédia de não saber nadar
Afogar-se à margem da miragem
Para cada crista criou-se um deus

A sarcástica cripta 
À mitra da própria imagem

Ateu Poeta
10/12/2013

144-MÚSICA, HISTÓRIA E POESIA

144-MÚSICA, HISTÓRIA E POESIA

É impossível ser feliz sem melodia
A música é o âmago da poesia
E esta retriz da fantasia
A outra perna do tripé é a História

Por que traz além de guerras e glórias
A paz que apraz quem tem identidade
Não só o sujeito
Mas a sociedade

Raiz etimológica e etnológica da questão
Que seria das ciências sem a Historiografia?
Quem não canta, se encanta ou recorda
Está preso na vida por uma corda sem cor

É vegetal de rancor
Não tem coração 

Ateu Poeta
08/12/2013