quarta-feira, 25 de setembro de 2019

139-SONETO SIMPLES


A vida não cabe num soneto
Mas que custa um sonho a mais
Antes da onda em Fortaleza
Das eleições no ano que segue

Ou que o acordo se quebre
Celebrando nova ogiva nuclear?
Nessa aresta inquieta
Ser poeta é o que me resta

Enquanto a serra vira sertão
E o sol me queima o juízo
Até o incisivo da constelação
Dívidas em desnível

E ainda apontam a ditadura
Como solução cabível

Ateu Poeta
26/11/2013

138-EQUINÓCIO


Se a poesia não preenche
Ainda haverá a música
Mas o vazio vem da própria busca
Só deve ser acompanhado da dúvida

Um mergulho para dentro de si
Volta ao mundo real
Lá onde a literatura não alcança
O universo dança onde não se possa ver

O tédio não vem do ócio
Mas do equinócio de não pertencer a mim mesmo
Um poço de insensatez
Para livrar da tênue tez-prisão

A vida é uma gaiola
As minhas asas querem flutuar

Ateu Poeta
23/11/2013

137-PERFUME

137-PERFUME

Teu perfume partiu
Em memória e saudade
História peremptória
Passageira mocidade

O ritmo
A beleza
Da noite
Se esvai no vento

A vida é açoite
Sem assento
Ou flores de abril
Um sorriso feminil

      Diáfana sinestesia
Na maestria de um momento

Ateu Poeta
22/11/2013

136-EU SOU ATEU

136-EU SOU ATEU

Os deuses da guerra 
São a nossa perdição 
Os deuses da guerra 
São a perdição da Terra

Os deuses da guerra 
Só maltratam o coração
O deuses da guerra 
Querem te crucificar 

Não há salvação
Querem te fazer sangrar
Eu sou ateu, não sou muçulmano
 Mas também não sou judeu

Eu sou questionador
Eu não acredito em Deus

Ateu Poeta
20/11/2013

135-XADREZ DA VIDA


A vida real é mais brutal
Os teus piões sempre mudam de lado
E nenhum destilado te fará parar de sangrar
O mundo emudece e nada muda

Em jardins de mudas a música fenece
Eu quero gritar que existo
Mas o teu ouvido tem o direito de me olvidar
Existem muitos exércitos, alguns levianos

Mercenários farão de tudo produto
Roubando teu fruto e a tua bandeira
Estrela vermelha que brilha no céu
Barão em quartel

O soneto não existe
Mas não desiste do defeito

Ateu Poeta
19/11/2013

134-NO TOPO DA TERRA


A vida acelera
E o meu peito é quimera
Só o silêncio conduz
À luz dessa ilusão

Vazio que vai e vem
Trem que não para
Salto no nada
Tempestade no mar

No emblema da magnitude
Horas se vão pelo ar
De asas abertas na pluma
Horizonte que se estende 

Um novo olhar sobre a serra
No topo da Terra é meu lar

Ateu Poeta
16/11/2013

133-DANÇA DE CRIANÇA

133-DANÇA DE CRIANÇA

A vida poderia ser uma dança
Sorriso de criança
Música de Vivaldi
Daquelas que invadem o coração

Em vez dessa contramão de vida adulta
Essa luta que adultera todos os sentidos
Por que não um desenho
De todas as cores

Em um mundo sem dores
Atores
Saudades?
Mas, tudo é resumido

Em calor, pressão, frialdade...
E um silêncio perdido na cidade

Ateu Poeta
14/11/2013